domingo, 8 de junho de 2014

Se Cássio não pode, porque insiste na candidatura?



(Professor Jônatas Frazão)
 
A Paraíba está dividida entre os que acreditam que Cássio é elegível e poderá disputar o Governo do Estado este ano; e os que não acreditam nesta possibilidade. De paraibanos que vivem a política no sangue, viramos um monte de rábulas a palpitar sobre a elegibilidade do tucano. Alguns eivados de paixão, outros nem tanto. Mas, todos tem sua opinião formada.

A minha é de que Cássio não poderá ser candidato e que chegará o momento em que isto será posto. O problema é que esta certeza só teremos em julho, depois que o PSDB apresentar, em convenção, a candidatura do tucano, o que será, aos olhos da Justiça, o ‘fato concreto’ que poderá ensejar uma resposta, inicialmente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.

Mas TRE não dará apalavra final. Se o órgão disser que Cássio é inelegível, ele recorrerá. Se não, os adversários recorrerão. Depois vem o TSE, até desaguar no Supremo Tribunal Federal. Nota-se, portanto, que haverá ‘via crucis’ para Cássio, qualquer que seja a decisão inicial. Esse tempo será suficiente para Cássio fortalecer a chapa.

Primeiro porque ele sabe que até as convenções nada o impedirá de dizer que é Ficha Limpa e que poderá ser candidato. Segundo, porque depois da convenção também poderá posar de elegível, pois o caminho ao Supremo é longo e cansativo, o levando até  a campanha propriamente dita.

Cássio, sabedor de que não poderá levar adiante a sua candidatura, vai tentar fortalecer ao máximo a sua chapa, para, no momento da saída, ela estar fortalecida. Isso explica, por exemplo, o fato de ele ‘rifar’ a vaga de Cícero na chapa em busca dos míseros 35 segundos do tempo de televisão oferecidos pelo PTB de Wilson Santiago, segundo levantamento do tempo de rádio e TV que o TRE-PB divulgou esta semana.

E esse tempo é tão importante que fará, por exemplo, com que Cássio entre de braços dados em Campina Grande com o ‘Inimigo de Campina’. Foi assim que Cássio, durante anos, tratou Wilson Santiago, ao condenar projeto de autoria do filho de Uiraúna que subtraiu parcela considerável do ICMS da cidade, o tão famoso projeto de redistribuição do ICMS. Lembram?

Cássio sabe que terá na aliança PMDB-PT, com Veneziano e Lucélio, um concorrente forte no guia eleitoral. É que, segundo os mesmos dados do TRE-PB, só esses dois partidos, juntos, terão 5 minutos e 18 segundos (2 min e 56 seg do PT e 2 min e 22 seg do PMDB). E, a depender da união de outros partidos, Veneziano poderá ter praticamente metade do tempo total de 16 minutos e 40 segundos disponibilizados pela Justiça Eleitoral para a propaganda.

Agora, uma perguntinha que deveria ser feita a Wilson Santiago: ele aceitaria ser candidato a senador numa chapa com Ronaldinho ou Ruy Carneiro candidato a governador? Claro que não. Wilson é matuto, mas não é besta. Por isso Cássio insiste numa elegibilidade capenga, para segurar quem poderia ser ‘insegurável’ e manter a pose para, quando entregar a chapa ao real postulante, essa chapa estar forte.

Ele sabe de suas limitações e sabe que os prováveis aliados não aceitariam se ele, agora, dissesse a verdade. Nem precisava dizer toda a verdade. Se ele dissesse, pelo menos, que, em caso de impossibilidade, o candidato seria outro, os ratos pulariam fora do barco mesmo sem a tempestade chegar. Uma coisa não se pode deixar de reconhecer: esse Cássio é inteligente, viu!

*professor aposentado da UFPB. Este comentário também está publicado no meu Facebook

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