quarta-feira, 23 de julho de 2014

Cuidado! Não subestimem Vital...



Professor Jônatas Frazão

Estou achando esta campanha muito parada. Tudo começou muito frio, diferente dos outros anos. Se na pré-campanha tivemos algo que nunca antes na história desse estado (!) havia acontecido, passado o período das convenções e registro de candidaturas, agora a Paraíba para, como se não houvesse uma disputa acirrada pela frente.

Eu também parei. Tenho observado a movimentação política dos candidatos a governador e confesso que tenho achado tudo muito estranho. Ao ponto de começar a imaginar cenários impensáveis e disputas bem diferentes daquelas que todos pensavam que iriam ocorrer.

Falemos de Cássio. Não restam dúvidas de que no período de pré-campanha foi quem melhor trabalhou. Conseguiu aglutinar partidos e apoios dos mais diversos e acabou na pole position do tempo de TV. Perdeu o apoio do amigo e senador Cícero Lucena, magoado por ter sido preterido no processo eleitoral. Mas ele deve saber o que está fazendo. Espero.

Falemos de Ricardo. Saiu enfraquecido. Com o governo na mão, perdeu o apoio de Rômulo, perdeu partidos importantes para Cássio, penou para conseguir um vice e teve que engolir Lígia Feliciano, que representa o significado de Damião Feliciano em Campina, mas não soma nada mais à sua chapa. E ainda tem a possibilidade de perder o PT na disputa judicial com o PMDB, o que seria um enorme baque em sua candidatura.

Agora falemos de Vital. Entrou na disputa sem o desgaste da pré-campanha, absorvido em sua totalidade pelo irmão, Veneziano, então pré-candidato até a última volta dos testes oficiais para o grande prêmio. Tem cacife nacional no PMDB e no PT e é provável que ganhe a queda de braço com o PT de Luciano e Lucélio – aliás, dupla que sai muito menor do que entrou nessa disputa.

A trajetória de Vital fala por si. Vereador em Campina Grande, deputado estadual, foi eleito deputado federal com a maior votação, dentre seus concorrentes, em 2006. De um simples deputado federal – mas com um mandato bem avaliado – passou à condição de senador, fato que não é considerado normal na política, pois o tapete azul, geralmente, é reservado para ex-governadores e políticos depois de testados em várias esferas.

Na eleição para o Senado, derrotou Cássio, Efraim e Wilson Santiago em João Pessoa, o maior colégio eleitoral do estado. Foi o segundo colocado no geral, perdendo para Cássio– que até hoje mostra os mais de 1 milhão de votos como troféu – por uma diferença de 134.682 votos. Cássio teve 1.004.183 votos e Vital, 869.501.

O detalhe é que Cássio foi para a disputa ao Senado com o cacife de três mandatos de prefeito em Campina Grande, dois de deputado federal, como ex-superintendente da Sudene e duas vezes governador. Vital foi vereador duas vezes, três vezes deputado estadual e uma vez deputado federal. Só. E teve o monte de votos que teve.

Diante do histórico de cada um, não tenho dúvidas de que teremos uma grande campanha pela frente. E se alguém aí pensar em subestimar Vital, pode estar incorrendo em grande erro. Não é à toa que ele é chamado pelos amigos mais próximos de superman. Será que o silêncio atual seria a busca por uma criptonita?

*professor aposentado da UFPB. Este comentário também está publicado no meu facebook

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