quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Caturiteense é entrevistada no Rio de Janeiro sobre discriminação contra nordestinos


Os nordestinos se apoquentaram com a onda de preconceito que dominou as redes sociais nos últimos dias, após a apuração dos votos para a presidência apontar uma expressiva vitória de Dilma na região.
Diante das mensagens — que associavam o voto ao medo de perder o Bolsa Família e tachavam o povo de “burro” e “escória do país”, entre outros adjetivos ofensivos —, os eleitores da candidata petista e os de Aécio Neves afinaram o discurso para combater a discriminação.

“Infelizmente, sofremos muito preconceito. Votei em quem acho que é melhor para o país como um todo. Conheço muita gente que também votou na Dilma e não é beneficiada pelo Bolsa Família”, desabafa a empresária piauiense Maria José da Costa Mello, de 62 anos, eleitora de Dilma.

Apontado por internautas como elemento chave para a conquista de votos, o programa Bolsa Família divide opiniões entre os nordestinos.

“Trabalhei com o programa na minha cidade e vi diversas irregularidades. Pessoas que mereciam não recebiam e a dona de um mercadinho recebia”, conta a secretária executiva Dayane Vidal, de 25 anos, nascida em Caturité, na Paraíba: “Um dia chegou uma mulher com vários filhos para se inscrever e, na mesma hora, recebeu uma proposta para trabalhar como doméstica. Mas ela disse que preferia ganhar sem fazer nada”.

A piauiense Maria Mello acredita que o programa melhorou a vida de muitos.
“Claro que quem recebe o Bolsa Família vai usar o voto para não perder a mordomia, mas isso acontece lá e aqui no Rio também”.

Eleitor do PSDB, o paraibano Claudio Cabral, de 43 anos, endossa a crítica. Para o gerente de restaurante, não é surpresa saber que há internautas que consideram o Nordeste um “antro de bobos”.

“A discriminação existe. Mas não somos bobos, somos um povo de convicções. Eu, por exemplo, acho que Lula e Dilma tiveram sua chance e agora decidi votar no Aécio, que garantiu dar continuidade aos pontos positivos dos governos anteriores”, diz.

O cearense Francisco de Assis de Medeiros é outro exemplo que foge do padrão definido pelos preconceituosos.

“Sou nordestino e votei no Aécio. A prova de que não são só os nordestinos que votam na Dilma é o fato de ela não ter vencido só na nossa região”.
Extra On Line

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